Livro – Comer Rezar Amar

Eu sou da opinião de que livros têm hora certa para ‘chegar’ ou serem lidos. Alguns deles dependem de outras leituras, as quais você ainda nem descobriu. E assim, o livro fica na estante, um pouco empoeirado, entre algumas tentativas frustradas de leitura. Outros, por sentidos íntimos, se lidos num certo momento ganham novos significados.

“Comer, Rezar, Amar” era um desejo de meses que antecederam a compra. Um dia fui folhear o livro em uma livraria e ao abri-lo, senti um arrepio. Não satisfeita, vasculhei a livraria mais um pouco e antes de ir embora, volto àquele livro. E novamente, o tal arrepio. Encarei aquilo como um sinal suficiente para comprá-lo.

Foi a melhor compra que eu fiz naquele momento. Trouxe um novo significado a uma fase que estava vivendo. Por ironia do destino, embora seja um dos meus livros favoritos, hoje ele não está mais em minhas mãos.  Parece até que o universo quis dizer: o livro já cumpriu o seu papel.

Quando vivemos uma crise, parece que o nosso chão some, nos sentimos em queda livre e é preciso restabelecer o equilíbrio pra saber novamente onde está pisando, para daí seguir em frente.  E em linhas gerais, é disso que o livro trata.

SOBRE O LIVRO

Ele começa com o drama pessoal da Liz que se encontrava em um casamento infeliz, depois passa pelo divórcio doloroso dela, relacionamentos frustrados e a busca por si própria em uma viagem de 1 ano em 3 atos (geograficamente, emocionalmente e espiritualmente):

“Sabe o que eu senti essa manhã? Nada. Nenhuma paixão, centelha, fé, excitação. Absolutamente nada. E isso me apavora é pior que a morte… vou a Itália, depois ao ashram da guru do David na Índia e vou fechar o ano em Bali.”

  • Itália: para recuperar apetite e o prazer pela comida, romper com todo o esvaziamento que o divórcio e os relacionamentos causaram, fazer amigos e se comunicar.
  • Um retiro na Índia: para oração, interiorizar-se, dissolver padrões (vida amorosa), praticar a devoção e perdoar;
  • Bali: meditando com alegria, liberdade e abrindo o coração para amar.

Nesse período, muitas pessoas se tornarão importantes para atingir os objetivos de cada percurso, que resulta no fim da sua depressão, na resolução (ou quase) de várias questões existenciais , no resgate de sua confiança, bem como o auto perdão e a voltar construir laços.

O livro, escrito por Elizabeth Gilbert foi publicado pela editora Objetiva em 2008 e teve uma adaptação para o cinema, sendo a protagonista interpretada por Julia Roberts. Uma escolha melhor que Julia Roberts seria impossível. Assistir ao trailer com a música de Florence + The Machine (Dog Days are Over) foi melhor ainda!

 

TRECHO DO LIVRO E CITAÇÕES DO FILME

“Vivemos infelizes com medo que uma mudança estrague tudo, aí, eu olhei esse lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, pilhado e reconstruído, e me tranquilizei. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica, o mundo que é… e a armadilha é nos apegarmos às coisas. A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva a transformação.”

Para fechar… um excerto da página 35:

Liz – Eu quero ter uma experiência duradoura com Deus. Algumas vezes eu sinto que entendo a divindade de Deus, mas depois deixo de entender porque me distraio com meus desejos e medos mesquinhos(…) O que eu quero é aprender a viver nesse mundo e desfrutar seus prazeres, mas também me dedicar a Deus.

[Ketut responde com uma imagem. onde deveria estar a cabeça, havia apenas um tufo selvagem de samambaias e flores. Em cima do coração estava desenhado um pequeno rosto sorridente.]

Ketut
– Para encontrar o equilíbrio que você busca, é nisso que você tem que se transformar. Precisa manter os pés plantados com tanta firmeza na terra que é como se tivesse quatro pernas, em vez de duas. Assim, você consegue permanecer no mundo. Mas você precisa parar de ver o mundo através de sua cabeça. Em vez disso, precisa olhar pelo coração. Assim você vai conhecer Deus.

Post originalmente publicado no Tumblr em 05/maio/2010.
Fiz um update para publicá-lo aqui.

Postado por June

30 anos | Publicitária | Freelancer | Apaixonada por marketing digital, fotografia, culinária, novas culturas e lugares.

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