A busca de cada um

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O mundo passa por transformações, religião e governo passam por reformas e os jovens também estão mudando.Todo jovem em seus 20 e poucos anos, entende que esta é a fase de acumular, a fim de uma estabilidade financeira no presente e no futuro, seja para declarar independência, morar sozinho, comprar um carro, construir uma família.

Tempo no qual o principal fator de sucesso e felicidade é o quanto você tem ou ganha de dinheiro. Temos ambições muito fortes na área profissional, além de padrões e formatos que a sociedade já pré-estabelecidos. E nessa busca, tentamos materializar o espírito e não espiritualizar a matéria.

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Aí você começa a ver gente largando o emprego, para ser feliz e se depara com diversas discussões sobre felicidade, e alguns argumentos falsos de que é preciso ser rico ou ter poder para fazer o que ama; que existe uma divisão de classes e que nem todo mundo pode ir em busca de seu sonho senão há um colapso de tudo; que o Sol não brilha para todos; que isso é utopia.. Enfim, vários argumentos e artigos, como bem citado no Nômades Digitais

PÁRA…PARA…PARA. Primeiramente, fazer o que você ama, não é sinônimo de  ser mochileiro ou ter um ano sabático. E se reparar bem, grandes histórias mostram que não é algo simples, de retorno imediato, sem defeitos e desafios.São pessoas que saíram de suas zonas de conforto e foram construindo sua nova realidade aos poucos em busca do seu próprio ideal de felicidade. Não estar contente com o que faz é apenas um dos motivos.

Recentemente li uma  interessante parábola*:

Era uma vez um homem que talhava pedras de uma rocha. Seu trabalho era muito árduo e ele trabalhava muito, mas seu salário era baixo e ele não estava contente.
Quem está contente? Nem mesmo os imperadores estão contentes, que dirá um talhador de pedras! Seu trabalho era certamente árduo, e a remuneração era quase nada.

 

Um dia ele deu um suspiro, lastimando seu penoso trabalho, e gritou: “Eu queria ser rico para poder descansar em uma cama com um lençol de seda!”.

E um anjo desceu do céu, dizendo: “Você é o que você diz”.

 

E então ele estava rico e descansava em uma cama, com um lençol de seda, quando o rei daquela terra passou, com cavaleiros à frente da sua carruagem . Atrás da carruagem também havia cavaleiros, e um deles segurava um guarda-sol dourado sobre a cabeça do rei.
Quando o homem rico viu isso, ficou vexado por não ter ninguém segurando um guarda-sol dourado sobre a sua cabeça. Não contente,suspirou e gritou: “Eu quero ser um rei!” E o anjo voltou e disse: “Você é o que você diz”.
E ele era rei e muitos cavaleiros cavalgavam na frente da sua carruagem. Havia também cavaleiros atrás da sua carruagem, e um dos homens segurava um guarda-sol sobre a sua cabeça. Mas o sol lançava raios tão quentes que chamuscavam a terra e ressecavam os rebentos da relva. E o rei se queixou de que o sol queimava o seu rosto e que superava em poder. E, não contente, suspirou e gritou: “Eu quero ser o sol”.
E o anjo chegou e disse: “Você é o que você diz”.

 

E ele era o sol e dirigia seus raios para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda – para toda parte – e queimou os rebentos da relva na terra, e a face dos reis que existiam na terra.
E uma nuvem se colocou entre ele e a terra, e os raios do sol refletiram-se de volta e ele ficou furioso por enfrentarem o seu poder. Queixou-se de que a nuvem tinha mais, poder do que ele e não ficou contente. Ele queria ser a nuvem, que era tão poderosa. E o anjo veio e disse: “Você é o que você diz”.

 

E ele se tornou uma nuvem e se colocou entre o sol e a terra e interceptou os raios para que a grama crescesse verde. A nuvem lançou grandes chuvas sobre a terra, fazendo os rios transbordarem e as inundações carregarem as casas e destruírem os campos com tanta água. A chuva transformava-se em grandes correntes de água, mas caiu sobre uma rocha que não se rendeu. E ele ficou furioso porque a rocha não se rendia ao seu poder. O poder de suas correntes era inútil, e ele não ficou contente.

 

Ele gritou: “Essa rocha recebeu um poder que excede o meu! Eu gostaria de ser essa rocha!” E o anjo veio e ele agora era a rocha. Tornou-se a rocha e não se movia nem quando o sol brilhava nem quando chovia.
Então apareceu um homem com uma picareta, um cinzel e um martelo pesado, cortou as pedras da rocha e a rocha disse: “Como este homem pode ter um poder que supera o meu e corta pedras do meu corpo?”. Ele não ficou contente.
Gritou: “Eu sou mais fraco do que ele! Quero ser aquele homem!” E o anjo veio do céu dizendo: “Você é o que você diz”. E ele ficou sendo de novo um talhador de pedras. E talhou pedras da rocha com trabalho árduo, trabalhando diariamente por um salário pequeno – e ele estava contente.

Bem, um pouco extensa né? No segundo parágrafo você já sacou onde ia chegar. E na vida real sabemos que a conclusão dessa história, não é o que acontece na maior parte das vezes. O ser humano por natureza é insatisfeito. É por isso que essa roda acaba nunca tendo fim. Porém na história, podemos até dizer, que ele se contentou, pois enxergou o seu valor no papel que desempenhava. E muitas vezes, essa conclusão é mais essencial do que qualquer mudança externa. Lembra do que eu disse no post anterior sobre enxergar o seu valor? Pois é.

“Talvez esse homem seja mesmo um tolo. No entanto, é menos tolo que o rei, que o vaidoso, que o empresário, que o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, ou uma flor. Quando o apaga, porém, faz adormecer a estrela ou a flor. É um belo trabalho. E, sendo belo, tem sua utilidade.” – O Pequeno Príncipe

Se sua realidade interna é condizente com essa projeção externa, maravilha! Afinal, muita gente precisa apenas de novos ares para se sentir realmente feliz com aquilo que faz. Cada um define felicidade, bem-estar e sucesso , etc.  sob seus próprios termos.

O importante é buscar isso internamente e não em fatores externos. Vejo também que não é o que fazemos, mas sim o quanto de amor colocamos nisso.

Parece comercial de Sazon, mas traduz uma grande verdade.  Nossos dons e talentos são revelados a partir do momento em que o amor se expressa através de você se doando desinteressadamente. “Essa capacidade de se doar determina a maturidade da alma em evolução.”

E muitos iniciam a jornada fora dessa “normose”, começando pelo emprego. Afinal, é a primeira prática de ser útil ou servir. Aí em alguns casos, como o meu, naturalmente isso caminha para uma pergunta sobre a sua vocação, que o leva então à intenção sincera em servir de alguma forma no mundo. E eu digo com todas as letras: não há nada mais RECOMPENSADOR na vida do que isso. Dá mais alegria, mais felicidade, do que qualquer bom argumento para defender o resultado de um trabalho seu ou algo que acredita. Porque é um outro tipo de recompensa. É mais profundo e pleno: vem da sua essência.

O conhecimento está cada vez mais acessível a quem quiser. E liberta. É abrindo espaço na sua mente e questionando certas verdades, que você filtra o que será útil e vai além da superficialidade das certezas e respostas rápidas

Progredir é uma escolha, é um processo em que nada vem pronto e embalado. Vemos o mundo não como ele é, mas como somos. Cabe a você acertar na decisão.

[*trecho do livro : Osho – Questões Essenciais – Fama, Fortuna e Ambição]

Posted by June

28 anos | Publicitária | Freelancer | Apaixonada por marketing digital, fotografia, culinária, novas culturas e lugares.

One comment

  1. Querida Ju!! Que post maravilhosoooooooo… amei sua forma de avaliar a questão do emprego, “é a nossa primeira forma de ser útil e servir”. E precisamos fazer isso com amor, não com obrigação ou pensando no dinheiro. O melhor é sermos úteis uns aos outros!!!

    A parábola também é simplesmente fantástica. Não a conhecia, amei, amei, amei!

    Uma das minhas frases favoritas: “E nessa busca, tentamos materializar o espírito e não espiritualizar a matéria” – muito bom!!!

    Beijos, querida!

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